Skip to content

Finalizando o documentário “Malucos de Estrada”

Edit cogu

Neste mês de novembro concluímos a decupagem (os cortes e a montagem das cenas) de 3 anos de filmagens realizadas sobre o universo cultural dos artesãos nômades – malucos de estrada –,  no Brasil. Foram percorridos 17 estados do país, incluindo mais de 80 municípios e mais de 200 pessoas entrevistadas.

Diferentemente de um filme com roteiro pré-definido, este filme constitui-se numa missão de pesquisa que mergulhou a fundo na história do movimento hippie no Brasil e seus desdobramentos ao se miscigenar com vários aspectos sócio-político-culturais de nosso país, dando origem à expressão cultural protagonizada pelo maluco de “BR”. No decorrer da pesquisa, novas temáticas, perguntas e inquietações foram surgindo, dando novos contornos e desdobramentos ao processo vivo e dinâmico de investigação.

Sabemos do compromisso que temos com os colaboradores que ao longo deste ano financiaram esta empreitada e que aguardam ansiosos por conhecer esta cultura que por 40 anos foi tornada invisível pela incapacidade de pesquisadores, das instituições governamentais, da imprensa e da sociedade em geral em compreender este universo alternativo.

Também estamos cientes da enorme responsabilidade que este filme traz consigo, já que ele deve atender – além da expectativa dos colaboradores –, à uma carência e demanda de pesquisa sobre o tema, provavelmente servindo de base para futuras politicas públicas e para o reconhecimento desta manifestação cultural brasileira. Além disso, o filme traz uma narrativa de busca pessoal, quebra de padrões e busca pelo autoconhecimento.

Nos últimos dois meses, temos recebidos pouquíssimas contribuições, o que dificulta muito o andamento do documentário, já que os realizadores têm de cumprir dupla jornada, mantendo outros trabalhos para subsidiar a execução do documentário. Tudo isso deixa o processo mais lento e por isso pedimos a compreensão de todos.

A montagem e edição do documentário Malucos de Estrada já está em andamento. Mas hoje estamos partindo para uma nova e quem sabe a última missão de pesquisa para preencher algumas lacunas que surgiram no decorrer da montagem  do filme. O destino é a Aldeia Hippie de Arembepe, na Bahia.

Nossa expectativa é que o trailer do filme seja lançado ainda em dezembro, sendo que a primeira versão do filme deve ser lançada logo no inicio de 2014.

dêumrolê

deumrole capa design finalbx

Para as almas inquietas de pé quente e cabeça fria!

Malucos de Estrada na Rio Fashion Week?

_MG_0120

Carxs, no ultimo mês recebemos uma proposta que nos fez refletir bastante sobre os caminhos que o filme Malucos de Estrada e toda sua luta política podem tomar. Um estilista de uma conhecida marca de roupas internacional nos procurou pois estava interessado em montar o desfile de sua coleção outono-inverno para o Rio Fashion Week baseado na estética dos hippies / malucos de estrada.

Ele nos procurou a fim de compreender melhor este universo, desenvolver uma parceria com o coletivo Beleza da Margem e mostrar no desfile as imagens da repressão que todos malucos tem sofrido pelo país e introduzir o conceito da reconfiguração que o movimento hippie teve no Brasil após 40 anos de mestiçagem cultural. Seria uma grande visibilidade para o filme e uma alavanca financeira num momento crucial para a continuidade dessa empreitada. No entanto, após colocar na balança os prós e os contras, escrevemos uma resposta ao estilista que é ao mesmo tempo uma resposta para vocês que estão acompanhando, participando e contribuindo com a nossa história. Segue:

Olá,

Como lhe disse, surgiram vários questionamentos acerca da parceria dos artesãos neste projeto.

Uma das problemáticas vislumbradas refere-se à possibilidade da ocorrência de uma apropriação do artesanato produzido pelos artesãos por setores da indústria. Isto porque, uma vez que este bem cultural seja visualizado como uma tendência da moda, pode passar a ser produzido por outros agentes visando o mercado da moda e o lucro, em escala industrial/comercial, desvinculando o bem cultural do seu produtor cultural, o artesão, e produzindo-o de uma forma que dificulta sobremaneira a “competição” deste. Já sabemos que um produto artesanal, produzido por um indivíduo singular, tem dificuldades em “competir” – em seu custo final, acessibilidade, divulgação – com um bem industrializado, produzido em série e exposto em lojas. Vale lembrar que a produção do artesanato constitui-se numa das principais formas de sustentabilidade do maluco de estrada.

Outra questão que nos inquietou consiste na possibilidade de que o desfile estimule uma visualização/divulgação do caráter estético da cultura do maluco de estrada, desvinculado de outros conteúdos essenciais. Sabemos de seu interesse e disponibilidade em abordar e divulgar no desfile a luta política e o contexto de repressão que o artesão sofre, mas tememos que o apelo à estética peculiar destes venha sobrepujar todo o contexto cultural que dá vida e sentido a esta estética. Neste caso, estaríamos na contra-mão de nosso próprio trabalho, que busca visualizar esta cultura de uma forma mais ampla, considerando a gama de facetas que constituem a expressão cultural protagonizada pelo maluco de estrada: sua cosmovisão específica, seus saberes e fazeres, seus valores singulares, suas formas de conduta, etc. São todos estes aspectos que fazem estas pessoas serem quem são, e apenas uma apreensão deste todo garante a coerência desta cultura.

Mais uma questão: o Coletivo Beleza da Margem é composto por pessoas que trabalham e militam na área do audiovisual e por alguns artesãos. Possuímos também grande legitimidade frente a uma parcela não desprezível de malucos de estrada. Mas não podemos considerarmo-nos representantes destes artesãos, porque estes são milhares de pessoas espalhadas por todo o Brasil. Mesmo o grupo de artesãos, não integrantes do Coletivo, que participou das discussões acerca do projeto do desfile não pode ser considerado representativo da cultura dos “malucos de estrada” no Brasil. Por se tratar de uma questão polêmica a parceria dos artesãos e/ou do Coletivo neste desfile, não podemos assumir a responsabilidade de representar e expressar uma cultura tão complexa, composta inclusive por artesãos que possuem uma postura rigorosa ante ao establishment e que considerariam que ocorreu uma cooptação.

Sabemos que a indústria, o capitalismo, tem a perspicácia de transformar tudo em produto. Inclusive podemos visualizar hoje, no mundo, uma movimentada indústria em torno do exotismo, do diferente. Mas será que há uma contrapartida válida desta movimentada indústria do exótico para aqueles aos quais ela se refere? Será que a ampla divulgação e possível aceitação da estética do artesão viria acompanhada de reflexões efetivas acerca de seu complexo universo cultural e da situação destes atores?

Desta maneira, não podemos nos comprometer a qualquer tipo de participação neste desfile, sob o risco de perder a legitimidade construída por anos junto aos nossos irmãos de estrada.

Independentemente do nosso posicionamento, sabemos que é possível que você dê prosseguimento à sua ideia, até inclusive encontrando artesãos que queiram participar deste projeto. Estamos cientes que, devido à variedade de indivíduos que compõem a família dos malucos, é possível que nem todos alcancem toda a problemática contida na questão.

Campanha de financiamento colaborativo. Participe!

Malucos de Estrada – A reconfiguração do movimento “hippie” no Brasil from Coletivo Beleza da Margem on Vimeo.

Para contribuir, visite nossa página: mobilizefb.com/malucosdeestrada

Imagine a oportunidade de mostrar num filme um modo de viver que poucos conhecem e capaz de inspirar tanta gente!

Sonhos, arte, poesia, cooperação, liberdade, revolução, desapego, igualdade, lutas… Sentimentos e ações que muitas vezes reprimimos em razão dos padrões sociais pré-estabelecidos, mas que são vividos intensamente por homens e mulheres que botaram uma mochila nas costas e o pé na estrada. Mas quem são eles? Como vivem? Em que acreditam?

O filme “Malucos de estrada: a reconfiguração do movimento hippie no Brasil” é uma iniciativa inédita que busca esclarecer a sociedade acerca da riqueza deste universo cultural e colocar em discussão o atual processo de repressão que os artesãos vêm sofrendo.

A urgência e relevância em lançar-se luz sobre esta cultura é que sua “sobrevivência” e “integridade” estão gravemente ameaçadas por todo este processo de repressão e preconceito que sofrem.

Acreditamos que este documentário será o ponto de partida para o amplo reconhecimento do “maluco de estrada” como expressão cultural brasileira.

Este será um filme lançado pela internet com livre acesso para que se converta num produto da sociedade.

Esse movimento é sobretudo uma luta para que vivamos de fato numa sociedade democrática, que permita e saúde a coabitação, entrelaçamento e diálogo de  diferentes cosmovisões, interesses e saberes, potencializando ao máximo o bem-estar coletivo.

Faça parte desta iniciativa conosco! Contribua para realização do filme e compartilhe nossa página: mobilizefb.com/malucosdeestrada

Contato: belezadamargem@gmail.com
Site: belezadamargem.com

Ficha Técnica:

Realização Coletivo Beleza da Margem

Direção: Rafael Lage
Produção: Cyro Almeida
Ass. de produção: Ariane Soares
Câmera: Barnabé, Douglas Resende, Gustavo Policarpo, Moacir Gaspar, Wesley Hudson
Edição de som: Nelson Pombo
Edição de imagem: Flávio Charchar

Trilha sonora:

Ricardo Mira – Além das Aparências
Ponto de Equilíbrio – Só quero o que é meu

Assista ao nosso primeiro documentário, lançado em 2011: “A criminalização do artista – como se fabricam marginais em nosso país”

Perguntas frequentes sobre a campanha de financiamento colaborativo para a realização do documentário “Malucos de Estrada””

Este documento está sendo construído coletivamente e gradativamente.

Se você tem uma pergunta e gostaria de tê-la respondida, use o espaço dos “comentários” para isso.

1 – Porque vocês não buscam financiamento de leis de incentivo ou parcerias com empresas privadas?

O fato de se tratar de um assunto inédito – o que implica na ausência de pesquisas e estudos teóricos reconhecidos que sirvam de referência e legitimidade para os argumentos do trabalho –  e, principalmente, o fato do trabalho basear-se numa quebra de paradigmas – já que busca reconhecimento para uma cultura situada à margem do establishment e milita contra a repressão da institucionalidade – , limita sobremaneira a possibilidade do gestor público compreender e apoiar a importância deste trabalho. Além disso, a vinculação de uma marca a este trabalho, no caso de parcerias com empresas privadas, é uma situação amplamente rejeitada pela posição contra-hegemônica da cultura dos “malucos de estrada”.

Queremos, sobretudo, fazer um documentário independente que tenha a liberdade de expressar vários assuntos e pontos de vista sem amarras institucionais ou de interesses de mercado. Além disso, o financiamento colaborativo por si só cria uma movimentação importante em torno da temática, suscitando desde já a reflexão sobre o tema.

2 – R$ 66.000,00 não é muito dinheiro pra fazer um documentário?

Não é. Podemos inclusive dizer que este valor está longe das condições ideais para a realização de um longa metragem. No entanto, é o suficiente para despesas fundamentais, que podem ser conferidas no nosso orçamento. É importante ressaltar que 17% deste valor cobrirá taxas administrativas da realização da campanha:  10% para o Moip (operadora financeira) e 7% para o Mobilize (plataforma de captação).

Já filmamos com recursos próprios em 9 estados e pretendemos alcançar as regiões norte, centro-oeste e sul para que, de fato, este longa metragem seja representativo da questão no nível nacional. Além disso, outros profissionais serão contratados no momento da finalização do filme (edição, colorimetria, regulagem de som, legendas e design).

Para acessar nosso orçamento:

https://docs.google.com/file/d/0Bz7s8uTp_t0YQXhKejhFUUJBNUk/edit

3 – Porque a campanha está sendo feita em tão pouco tempo?

Em investigações anteriores ao lançamento desta campanha, descobrimos que este tipo de financiamento funciona melhor com um prazo médio de 30 dias. Em campanhas de maior prazo as pessoas tendem a postergar a contribuição e a dinâmica do financiamento se torna morosa. Conhecemos experiências muito bem sucedidas de campanhas para financiamento de filme que foram realizadas em apenas 30 dias e arrecadaram mais de R$ 100.000,00. São elas:  “Belo Monte: anúncio de uma guerra” e “Domínio Público”.

Veja exemplos bem sucedidos de financiamento colaborativo:

http://catarse.me/projects/459-belo-monte-anuncio-de-uma-guerra

http://catarse.me/pt/dominiopublico

4 – Qual a diferença entre um “hippie” e um “maluco de estrada”?

Acreditamos que o movimento hippie já chegou ao Brasil amplamente traduzido, além de carregado de valores próprios da América Latina. Somado à influências diversas, como as matrizes afro-brasileira e indígena, por exemplo, a roupagem hippie ganha uma nova tradução que convergirá na figura do “maluco de estrada”. O artesanato e o nomadismo têm um papel fundamental neste processo, pois por meio deles se estabelecem uma identidade cultural e o consequente reconhecimento de homens e mulheres enquanto “malucos de estrada”.

5 – Se vocês não conseguirem todo o valor desejado, receberei meu dinheiro de volta?

Não contamos com a possibilidade de conseguir um valor abaixo do desejado. Desta forma, há um mecanismo que garante a devolução das doações em seu valor total, mesmo para quem pagou via boleto bancário.

6 – Quais objetivos vocês esperam com o lançamento deste filme?

Acreditamos que o filme trará novas informações, pontos de vista e esclarecimentos para a sociedade acerca da cultura do “maluco de estrada” , suscitará discussões e reflexões, conferirá visibilidade para a questão e incentivará a realização de novas pesquisas,  passos estes essenciais para o reconhecimento do “maluco de estrada” enquanto uma expressão cultural brasileira. Esperamos também inspirar os espectadores neste modo de vida carregado de liberdade e que muitos, um dia, já pensaram seguir.

7 – O que vocês estão chamando de “ação política”?

O Beleza da Margem, além de ser um coletivo de mídia, é um grupo de pessoas engajadas no processo de luta política e afirmação dos diretos dos “malucos de estrada”. Atuamos nas Audiências Públicas realizadas na Câmara dos vereadores de Belo Horizonte, denunciamos no MP as irregularidades cometidas nas apreensões e colaboramos com a Defensoria Pública na elaboração de vários documentos, além de realizamos outras mobilizações e atos políticos.

Recentemente, uma liminar na justiça obrigou a prefeitura de Belo Horizonte a devolver os materiais apreendidos e garantir o legítimo direito dos artesãos exporem nos locais públicos. Diante de tudo isso, esperamos que o filme seja mais uma ferramenta de transformação do atual contexto de repressão que envolve os “malucos de estrada”.

Hippies retomam mercadorias – Jornal O Tempo

Hippies retomam mercadorias

Decisão liminar autoriza trabalho dos artesãos; prefeitura recorreu
Publicado no Jornal OTEMPO em 01/12/2012
por NATÁLIA OLIVEIRA
FOTO: ALISSON GONTIJO

 

Após decisão judicial, os artesãos da praça Sete, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, recuperaram ontem mercadorias apreendidas por fiscais da prefeitura, devolvidas em 36 sacos. Os confiscos ocorreram em várias fiscalizações feitas no local desde o início do ano. De acordo com o Código de Posturas do município, o comércio nas calçadas – como o realizado pelos artesãos, conhecidos popularmente como hippies – é ilegal.

A liminar foi concedida pelo juiz Gerald Claret de Arantes, da 1ª Vara da Fazenda e Autarquias, no último dia 2 de outubro, em resposta a uma ação impetrada pelos artesãos com a Defensoria Pública. Na decisão, o magistrado afirma que os pertences devem ser devolvidos e que os artesãos podem praticar o comércio na praça. A prefeitura aguarda a resposta de um recurso contra a decisão, impetrado no último dia 22, com base no Código de Posturas do município.

A defensora pública Flávia Marcelle de Morais explicou que entrou com a ação em junho deste ano, com base no fato de que os artesãos não são como os outros comerciantes ambulantes. “Eles não vendem produtos contrabandeados. O que fazem é artesanato. A comercialização na rua faz parte da cultura deles”, disse. Flávia afirmou que vai lutar para que o Código de Posturas seja alterado.

A defensora foi procurada pelos próprios hippies, que disseram ter seus direitos feridos com a apreensão dos artigos. “Esse é o meio de vida que nós escolhemos. Compramos a lã, a pedra e todos os materiais com que fazemos nossas mercadorias aqui. Faz parte de nossa identidade viver na rua”, disse o artesão Wesley Oliveira, 26.

Comemoração. O artesão Gabriel Barbosa, 27, que recuperou ontem parte de suas mercadorias apreendidas, é um dos cerca de 20 que ficam na praça Sete tentando vender suas mercadorias a quem passa.

“Tenho uma filha de 4 anos e sustento minha família com meu artesanato. Quando fiquei sem meus materiais, passei por muitas dificuldades”, desabafou.

Atuação de fiscais gera reclamações
Sem qualquer identificação, as mercadorias que estavam nos 36 sacos devolvidos aos hippies ontem tiveram que ser separadas pelos próprios artesãos. Entre os objetos apreendidos, havia uma Bíblia e um livro.

Os hippies reclamam de que a ação dos fiscais é quase sempre muito violenta. “Eles vêm com a polícia, que nos manda encostar na parede, e saem levando tudo o que nós temos. Não há nenhum diálogo”, reclamou o artesão Arilson Cristo, 42.

Segundo os hippies, muitos pertences pessoais também são apreendidos nas fiscalizações. “Levam nossas mochilas e bolsas, tudo o que a gente tiver. Teve artesão que já perdeu até mesmo documentos nessas ‘batidas’”, contou Messias Tavares, 17.

Outro lado. A prefeitura nega que tenha havido violência nas fiscalizações. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão afirmou que as mercadorias ficam sem identificação porque os hippies correm durante a fiscalização, para evitar pagar multa de R$ 1.200 pelo comércio ilegal. (NO)

Devolução dos artesanatos apreendidos pela prefeitura de Belo Horizonte

 

Chega junto pessoal, amanhã será um momento histórico na cidade de Belo Horizonte.

Devolução em massa dos artesanatos apreendidos pela prefeitura, exposição fotográfica sobre a cultura dos “Malucos de Estrada”, ciclos de debate problematizando a questão, exibição de documentários inéditos sobre os artesãos e lançamento da campanha de financiamento colaborativo para realizar um documentário sobre a cultura dos artesãos de rua no Brasil.

Onde: Praça Sete, centro da cidade, quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro
Quando: Sexta Feira, 30 de novembro 2012
Horário: 15h às 20h

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 204 outros seguidores