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Artesanato – “Trampo de Maluco”

Os tipos de artesanato que produzem a partir de seu ofício, exposto em espaços públicos das cidades, é possuidor de duplo caráter: comercial (ligado à subsistência do artesão) e cultural (valor simbólico, político e existencial) – de acordo com o entendimento do coletivo Beleza da Margem, encontrando-se também em concordância com o que está prescrito na Convenção da Unesco para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, de 2003 .

Em linhas gerais, a constituição histórica deste fazer relaciona-se à necessidade de obterem um mínimo de subsistência (diante de um cenário, no Brasil das décadas de 60 e 70, onde não predominava a prosperidade econômica ou subsídio familiar como dos “aparentados” hippies norte-americanos), de envolverem-se num ofício que mantivesse sua autonomia, nomadismo e coerência perante o sistema que eles contestavam, além de não serem criminalizados como capadócios. Tal ofício representou e ainda representa, mesmo diante da variedade de matizes e tonalidades que pode assumir e do fato de estar permanentemente reconfigurando-se, numa peça fundamental na existência histórica desta cultura.

Tal ofício não constitui-se apenas em uma profissão, mas em uma peça imbricada num complexo sistema cultural, dialogando, relacionando-se e sendo atravessado em vários níveis por múltiplas facetas da “cultura” do artesão, não sendo possível analisar tal ofício isolando-o desta teia de sentidos que constitui tal universo cultural.

Neste sentido, o ofício não pode ser compreendido separadamente de uma prática característica da expressão cultural do “maluco de estrada”, qual seja, a prática do nomadismo, que permitiu e permite: a ampliação das trocas e diálogos interculturais (a interação de artesãos de vários locais, cada um com seu saber-fazer e destes com outras fontes de conhecimento, gerando um empoderamento e reconfiguração de diversas técnicas), a adaptação dos tipos, qualidades e quantidades de ferramentas utilizadas (o nomadismo possibilitou e possibilita a mestiçagem e reconfiguração de ferramentas e instrumental, além de gerar a necessidade deste instrumental ser portátil, passível de ser transportado pelo artesão, em suas constantes viagens, em sua mochila), o recolhimento de matérias-primas variadas (como viajam constantemente por vários locais, podem recolher matérias-primas típicas ofertadas nestes lugares, além de realizarem trocas com as diversas pessoas que encontram).

O artesanato gerado neste ofício está impregnado dos valores simbólicos, políticos e da cosmovisão deste grupo cultural, refletindo sua discordância com a lógica capitalista da produção em série e do acúmulo de capital (o que está explicito na prática artesanal da manufatura e na lógica não capitalista que norteia a negociação da contribuição pecuniária em troca do artesanato), seu ideal de simplicidade e negação da propriedade privada (geralmente expõe seu artesanato em um pano estirado no chão), constituindo-se também num dos modos como o artesão comunica-se com a sociedade, compartilhando valores, conhecimentos e símbolos, já que, enquanto expõe e negocia seu artesanato, compartilha com o interessado sua história de vida e sua visão de mundo. Além disso, geralmente o artesão procura obter com seu ofício apenas o necessário para a sua subsistência e manutenção de uma vida simples.

O arsenal de técnicas artesanais presente neste ofício constituiu-se através do hibridismo entre diversas técnicas, inclusive milenares, como o macramê, festonê, malhas inglesas medievais, as filigranas portuguesas, o artesanato indígena, a escultura, a pintura, dentre outras, dando origem a um arsenal de técnicas reconfiguradas e adaptadas – malhas e correntes, trabalho com linhas, filigranas reconfigurado, trabalho com couro e diversas matérias-primas nacionais, modelagem com durepox, etc – absolutamente singular, o que resulta, associado aos tipos específicos de matéria-prima e instrumentos de trabalho, num artesanato sui generis e diversificado.

            

   

   

   

3 Comentários
  1. bem loko hein faço uns trampos tbm mas o seu e bem trabalhado parabens

  2. damassaarts permalink

    Ta massa!!!!! Parabens família roots!!

  3. Nossa!As fotos são lindas…

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